quinta-feira, 21 de julho de 2011

Preparação para o Papo Animado com David Daniels

Hoje rola o primeiro Papo Animado do Anima Mundi 2011 com David Daniels. O papo acontece no Cinema I do CCBB às 19h30. Para você já se preparar para a conversa, confira a entrevista com o criador do Strata Cut! Clique aqui para ler na íntegra!

David Daniels, ao fazer oito anos de idade, teve um insight quando brincava com suas irmãs: ao cortar um bolo de massinha colorida com uma faca afiada, se encantou com as formas que surgiam em cada fatia. Ele guardou a impressão por 14 anos, até ir estudar na CalArts e produzir seu filme de formatura, Buzz Box, na técnica que batizou de Strata Cut. As imagens se fundiam e se transformavam em outras imagens num ritmo frenético, como se fossem pinturas a óleo em movimento. A partir daí, David foi aperfeiçoando e expandindo sua técnica e arte de contar histórias através de fatias de massa de modelar filmadas quadro a quadro. Assim fez diversas produções, tais como a série de TV PeeWee’sPlayhouse, o videoclipe premiado do Peter Gabriel, Big Time, a retrospectiva sobre o Michael Jackson para a rede de TV ABC, Moonwalker, entre outros. No início da década de 1990, ele integrou a equipe dos estúdios Will Vinton como diretor-chefe especialista em técnicas mistas, onde dirigiu comerciais muito bem-sucedidos. Em 2002, David fundou o Bent Image Lab com Chel White, um estúdio independente premiado, reconhecido pelos filmes e comerciais realizados com técnicas mistas de animação. Em 2006, Tsui Ling Toomer juntou-se à companhia, e em 2009 foi a vez do diretor brasileiro Nando Costa tornar-se sócio do estúdio.

1. Que aspectos da sua vida convergiram para possibilitar a criação da técnica StrataCut?
Quando criança, eu prestava muita atenção nos detalhes e nas texturas das coisas. Eu tinha tempo para olhar, pensar, e me divertir. Podia observar a luz incidindo sobre tufos de poeira com o meu rosto colado no carpete durante meia hora. Minha mãe deixava eu brincar de massinha o tempo todo com as minhas irmãs, Shelley e Cary, numa mesa que chamávamos de Claytown (Cidade de Massinha). O germe da StrataCut me ocorreu no meu aniversário de oito anos. Depois da festa, fui para Claytown e fiz um bolo rústico com massinha. Quando a minha irmã fatiou o bolo, reparei que ali nas cores e formas escondidas estava um momento de tempo congelado. Eu não fazia ideia de como usar aquilo naquela idade, mas arquivei a ideia e prometi a mim mesmo que um dia a retomaria. O momento finalmente chegou quando fui estudar na CalArts, aos 22. Lá pude sentar, esculpir e cortar em diversos ângulos e maneiras possíveis, tentando desenvolver um conjunto de regras, um vocabulário para o uso dessa técnica.

2. Que tipo de trabalho você tem feito ultimamente?
Ao longo de quase trinta anos, venho ganhando a vida como animador e diretor para trabalhos com personagens e técnicas mistas, com filmes ao vivo e de animação. Desenvolvi e ajudei a lançar os personagens dos chocolates M&M, e dirigi esses e outros comerciais durante vários anos.
Na última década, tenho me ocupado na implantação da minha própria companhia de animação. Um grupo ótimo de artistas e produtores talentosos integra o Bent Image Lab. Junto com a minha família, essa intensa estação de criação toma a maior parte do meu tempo. Às vezes eu dirijo, mas em geral o meu tempo é uma mistura que envolve arte, pessoas e negócios.
Há um projeto que me parece promissor: o desenvolvimento de um software de Strata Cut em computação gráfica, o que me demanda o mesmo tipo de “musculação mental”, cai bem com meu jeito de pensar. Oferece possibilidades mais amplas do que a massinha, embora com restrições muito diferentes.

3. Você já esteve no Brasil? Como você imagina o Anima Mundi?
Não. Já visitei a Argentina e o Uruguai, mas o Brasil ainda não. Já estive em muitos lugares e cada vez que estou num lugar novo, sinto como se fosse uma revelação. Anima Mundi é um dos maiores e melhores festivais de animação no mundo. É uma grande honra participar da edição 2011. Uma das grandes alegrias que sinto é a reação das pessoas que vêem algo especial no meu trabalho. Espero ver esse assombro mágico em alguns dos rostos novos que desconhecem meu trabalho. Eu raramente tenho tempo de visitar festivais e deixar o meu trabalho, então essa é uma ocasião rara que eu estou aguardando com grande expectativa.

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